Mulher e Árvore
Amar
uma mulher, ou sentar-se
Sempre
debaixo da mesma árvore alta,
Demonstra uma certa falta de inteligência
A dois passos da imbecilidade
Um poeta, assim, jurado a alimentar-se De todos os prazeres sensoriais, Reivindicará a necessidade inexorável De ser Dom Juan Tenório Mas se, milagrosamente, (E porquê separar os milagres?) Mulher e árvore se mostrarem feitas de uma matéria Capaz de enfeitiçar o seu coração selvagem? E se tais visões do vazio Como brilharam febrilmente ali, ou acolá, Se reunirem, se mantiverem e forem apreciadas Ao subir um degrau familiar Para mudar e entregar-se e o acaso fez um voto, Como lhe pareceu adequado. Ainda assim, O que dizer de uma fénix num galho, Ou do destino de uma única mulher?
Robert Graves, Collected Poems 1959, Cassel & Company Ltd, 1959.
Versão Portuguesa de © Luísa Vinuesa