O Filósofo

Três paredes em branco, uma janela gradeada sem nada de novo,

Um tecto ao alcance das mãos erguidas,

Um chão tão vazio como as paredes


Descartando as distracções do corpo -

Crescimento do cabelo e das unhas, uma dieta de prisão,

Pensamentos de fuga -


Descartando a memória e a fantasia.

O som longínquo das botas de um carcereiro,

Ratos visitantes e coisas semelhantes


Que consolo para uma mente laboriosa!

Que formidável e singular tarefa

Alguém poderia tentar aqui


Traçando uma lógica entre parede e parede,

Tecto e chão, muito mais preciso

Do que a teia de aranha


Verdade capturada - sem aumento de moscas -

Girando e emaranhando até que a cela se tornasse

Uma outra cabeça espaçosa


Em que a razão emacipada pudesse

Aprender, com o tempo, a caminhar por distâncias maiores

E de forma mais inquestionável




Robert Graves, Collected Poems 1959, Cassel & Company Ltd, 1959.

Versão Portuguesa de © Luísa Vinuesa  

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