O Rosto no Espelho

Olhos cinzentos e assombrados, um olhar vago e distraído

De órbitas largas e irregulares; uma sobrancelha caída

Um pouco sobre o olho

Por causa de um fragmento de míssil ainda alojado,

Superficial, como um registo tolo de uma luta de tempos antigos


Nariz torto e partido - provocado por uma entrada baixa,

Bochechas sulcadas, cabelos grisalhos e ásperos, esvoaçando frenéticos,

Testa enrugada e alta,

Papada proeminente, orelhas grandes, queixo pugilístico,

Poucos dentes, lábios carnudos e avermelhados, boca ascética


Paro com a navalha em punho, franzindo o sobrolho com desdém

Diante do homem reflectido no espelho cuja barba exige a minha atenção,

E mais uma vez pergunto-lhe por que

Ainda permanece pronto, com a presunção de um rapaz,

Para cortejar a rainha no seu alto pavilhão de seda




Robert Graves, Collected Poems 1959, Cassel & Company Ltd, 1959.

Versão Portuguesa de © Luísa Vinuesa 

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