Vaidade
Podes assegurar-te, o Dragão não está morto
Mas mais uma vez das fontes de paz
Erguerá a sua fabulosa cabeça verde
As flores da inocência cessarão
E como uma harpa o vento rugirá
E as nuvens agitarão um velo furioso
“Aqui, aqui está a certeza”, juraste,
“Sob esta árvore atingida por um raio
Onde antes caía, agora já não cai”
“Dois amantes numa casa concordam,
O tecto é firme, as paredes inabaláveis,
Como agora, logo deverá ser sempre”
Tais profecias de alegria despertam
O sapo que sonha com o passado
Sob a pedra da sua lareira, a luz esquecida,
Que sabe, enfim, que a certeza,
Deve dissipar-se em vaidade -
Não há portão, nem porta segura -
Que o trovão irrompa do céu azul,
Que os jardins da mente se desfaçam,
Que sequem as fontes do coração
Robert Graves in Collected Poems 1959, Cassel & Company Ltd, 1959.
Versão Portuguesa de © Luísa Vinuesa