Aurora

Na lama da maré, antes do poente,

dezenas de estrelas-do-mar

rastejavam. Era

como se a lama fosse um céu

e imensas estrelas imperfeitas

se movessem tão vagarosamente

quanto estrelas reais cruzam o céu.

De repente, todas elas pararam

e, como se tivessem simplesmente

aumentado a sua receptividade

à gravidade, afundaram-se na lama,

desapareceram e ficaram imóveis,

e quando o poente surgiu sobre elas,

eram tanto invisíveis quanto

estrelas reais ao raiar da aurora.



Galway Kinnell, Poems, Poemhunter, The World's Poetry Archive, 2012.

Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa


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